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Novamente Geografando

Este blog organiza informação relacionada com Geografia... e pode ajudar alunos que às vezes andam por aí "desesperados"!

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A IMPORTÂNCIA DA RECONVERSÃO DAS FAIXAS DE PROTEÇÃO PARA A BIODIVERSIDADE PORTUGUESA

Mäyjo, 31.01.15

A importância da reconversão das faixas de protecção para a biodiversidade portuguesa

O transporte de energia é tão complexo como essencial para o nosso dia-a-dia, mas há  sempre questões que, ainda que nos passem ao lado, acabam por influenciar a forma como empresas e cidadãos olham para o tema.

Um dos objetivos diários da REN (Redes Energéticas Nacionais) é desenvolver um sistema energético mais eficiente, seguro e competitivo, garantindo o acesso de energia a todos e, de preferência, com o menor custo possível.

No entanto, este processo tem implicações a vários níveis, como já aqui lhe contámos. É na parte ambiental, porém, que estão alguns dos maiores desafios da empresa portuguesa.

Em 2009, a REN adoptou uma nova estratégia na gestão das faixas das linhas eléctricas: a reconversão da faixa de protecção ou, por outras palavras, a plantação, nessa mesma área, de espécies vegetais que asseguram uma maior compatibilidade com a exploração das linhas.

A medida tem tido uma boa aceitação por parte dos proprietários – que continuam a retirar da sua propriedade algum rendimento – mas a REN, os consumidores portugueses e a sociedade em geral também beneficiam com ela, uma vez que asseguram a diminuição do risco de incêndio e o número de intervenções nessa faixa.

Sendo o desenvolvimento sustentável um dos eixos da missão da REN, a empresa tem de gerir a melhor forma de o alcançar sem colocar em perigo a segurança da exploração das linhas – o que nem sempre é fácil de assegurar.

Com vista a garantir esta segurança é estabelecida uma zona de protecção –  a chamada faixa de protecção – com 45 metros de largura, ou seja, 22,5 metros para cada lado do eixo da linha.

Dentro desta zona, a REN tem de cortar ou decotar as árvores necessárias para garantir a distância mínima de segurança e os proprietários do terreno são também obrigados a não consentir nem conservar plantações que possam prejudicar as linhas.

O Sistema de Defesa da Floresta Contra Incêndios prevê um conjunto de medidas e acções de articulação institucional, planeamento e de intervenção para proteger as florestas contra incêndios. Assim, as faixas de proteção às linhas elétricas da RNT poderão vir a constituir as redes secundárias de faixas de gestão de combustível, caso as comissões municipais de defesa da floresta entendam que seja necessário para a estratégia da defesa da floresta contra incêndios.

Assim, e caso tal venha a acontecer, é necessário proceder à gestão de combustível numa faixa correspondente à projecção vertical dos cabos condutores exteriores, acrescidos de uma faixa de largura não inferior a 10 metros para cada um dos lados ao longo das linhas.

É aqui que surge o conceito de reconversão da faixa de protecção, que consiste na alteração do uso do solo – para agricultura (vinhas, pastagens, pomares), por exemplo – ou na substituição das espécies florestais existentes por espécies que permitam cumprir as distâncias mínimas de segurança entre os cabos condutores e a vegetação.

“Os objetivos passam pela compatibilização da vegetação com a presença das linhas; a diminuição do risco de incêndio; a valorização da paisagem e a promoção de espécies autóctones; a quebra da existência de áreas com a mesma espécie; o aumento dos ciclos de intervenção; a co-responsabilização dos proprietários e a redução de custos de manutenção”, explica a REN.

Para além de trabalhar muito de perto com os bombeiros, protecção civil ou GNR, REN associou-se há muito aomovimento ECO, um projecto que une várias empresas num único objectivo: ajudar a potenciar a prevenção dos incêndios florestais e sensibilizar a opinião pública para os comportamentos de risco.

Quais as melhores espécies para a rearborização?

As espécies a propor aos proprietários na rearborização dependem da conjugação das condições do solo e do clima, do risco de incêndio e a sua compatibilidade com a presença da linha (baixo porte e crescimento lento). Assim, estão na linha da frente a alfarrobeira, o azevinho, a azinheira, o carvalho, o castanheiro, o medronheiro, a nogueira, a oliveira, o pinheiro-manso, o salgueiro ou o sobreiro.

Para promover estes processos de reconversão da faixa de proteção em espaços florestais, a REN aliou-se à QUERCUS para estabelecer um programa de fomento e incentivo à criação de uma floresta autóctone com altos índices de biodiversidade. Este protocolo tem ainda como parceiros o Instituto de Conservação da Natureza e Florestas (ICNF) e o Governo de Portugal.

A maioria da floresta autóctone é compatível com a exploração das infra-estruturas da REN, nas condições de segurança que lhes são exigidas, não só em termos técnicos como nas responsabilidades impostas por lei.

Assim, todos ganham com o projecto: os proprietários, que conseguem tirar algum rendimento de espaços que anteriormente estavam abandonados; a Quercus e a REN, porque fomentam a utilização de práticas que contribuem para biodiversidade; e os consumidores e sociedade, por via dos serviços de ecossistema, defesa da floresta contra os incêndios e, claro, porque disfrutará de todas as comodidades do transporte de energia em sua casa.

Restauro de um ecossistema de montado de sobro

Plantação de castanheiro para produção de fruto

 

Plantação de pinheiro manso para produção de fruto (enxertia efectuada pelo proprietário)

Faixa de gestão de combustível (sem plantação)

 

Faixa de gestão de combustível (com plantação)

Faixa de gestão de combustível (em plantações de eucalipto)